16.12.14

A primeira noite em casa.

Chegamos em casa!
Estava na hora.
Nossa primeira casa nessa aventura é, na verdade, um apartamento. Temporário apartamento.
Como eu já havia dito no post anterior, não fazia parte dos nossos planos sair de um apartamento na cidade grande e ir para outro na nova cidade, mas como diz o versículo: "O coração do homem faz planos, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9). Cá estamos. 

Chegamos na cidade no dia 20 de Julho e, exatamente, 7 dias depois no apartamento. Juntamos nossas coisas, saímos da pousada e partimos para encarar nosso novo lar cheio de caixas, mas já limpo e sem todo aquele pó branco de construção. André deixou o quarto das crianças liberado pra gente dormir e o banheiro prontinho pra tomarmos banho. O básico que precisávamos pra passar pra próxima etapa.

Preparamos uma sopa com torradas, demos banho em todo mundo e sentamos pra comer. Tantos sentimentos, tantas impressões, tantas expectativas e curiosidades. Foi uma noite agitada. Parecia que não ia acabar. Forramos todo o chão do quarto das crianças com colchões e dormimos todos juntos. Foi um mini acampamento familiar, só que dentro de casa. Rs...


As crianças estavam empolgadas e felizes (pra "variar"). Nós estávamos exaustos (pra "variar"). Entenderam as aspas, né? Hehe.

Mesmo muito cansada, eu mal podia pregar os olhos pensando em tudo que tinha pra fazer no dia seguinte. Toda uma casa pra colocar em ordem, toda uma vida pra colocar em ordem. Estávamos recomeçando. Tudo novo de novo. Pra quem tem ou teve uma vida de mudanças como eu, sabe do que estou falando. Eu já me acostumei a me mudar e me acostumei a tal ponto que se passo 2 anos num lugar, no final desse segundo ano já estou agoniada querendo me mudar de novo. Me acostumei com as andanças. Mas mudar de cidade com 3 crianças pequenas é algo totalmente novo pra mim. Rs... Acho que tudo fica elevado à enésima potência.

Pra vocês terem uma ideia do que estou falando, estamos 5 meses à frente da noite desse post. Vocês nem imaginam quanta coisa aconteceu de lá pra cá. Tenho tentado me organizar pra contar tudo em tempo real, mas os acontecimentos correm mais rápido do que minha disponibilidade e quando vejo, lá se foi mais um mês e eu nem postei nada. Simplesmente, mal consigo sentar na frente do computador. Me sinto numa montanha-russa dia e noite, noite e dia. Não posso negar que tudo isso tem sido uma grande aventura. Às vezes, empolgante. Às vezes, estranha. Mas isso tudo vou contando no decorrer das postagens. Hoje era só pra contar da primeira noite em casa!

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21.10.14

Os primeiros dias.


O dia amanheceu lindo, mas frio. Como foi boa a sensação de amanhecer aqui! As crianças acordaram e logo correram pra rede na varanda. Eu ainda não estava acreditando. Aquilo tudo estava mesmo acontecendo de verdade. Acordar, abrir as portas que davam para aquela varanda e sentir aquele orvalho misturado com a maresia foi emocionante. Esse cheiro tinha sabor também. Era o sabor de um sonho se tornando realidade. Já chegamos até aqui! Passamos por uma mudança complicada com 3 crianças, fizemos uma longa viagem de carro, eu estava indo morar num apartamento que nem conhecia, mas aquilo tudo já era insignificante perto do que estava acontecendo.

Passamos 7 dias na pousada. Eu ficava com os 3 enquanto André ia e voltava do apartamento no qual, até então, eu nem havia entrado ainda. Sim, só André conhecia o apartamento por dentro. No dia que chegamos o vi por fora, mas só por fora. Passei esses 7 dias louca pra entrar lá, desencaixotar tudo e começar a arrumar nosso novo lar. Temporário lar, tudo bem, mas era nossa primeira moradia aqui! Era a primeira vez que morávamos todos juntos perto do mar.

Nosso plano não era sair de um apartamento e ir pra outro e sim ir para uma casa, mas como não encontramos nada adequado para as crianças, nossa decisão foi de ficar no apê até que encontrássemos uma casa ideal. Por um lado isso foi bom, pois como não conhecemos a cidade muito bem, esse tempo no apê nos permitirá escolher uma casa com calma. Poderemos conhecer bem os bairros e decidir onde será melhor pra nós. Tudo tem seu tempo certo debaixo do céu e nada é por acaso. Assim acreditamos.

Nossa rotina durante esses 7 dias foi basicamente a mesma: acordar, tomar café da manhã, André ir limpar o apê e eu ficar com as crianças na pousada. Ele voltava na hora do almoço pra nos levar pra um restaurante, me deixava na pousada com as crianças de novo e voltava para o apartamento. Foi uma longa espera pra mim. Uma semana pareceu sete. A espera é angustiante, ainda mais quando você sabe que há tanto a se fazer. Quando André chegava exausto à noite, era como se eu voltasse a respirar depois de um longo tempo em apneia.


Eu estava doida colocar todos os planos em prática. André trouxe umas fotos do interior do apê pra mim e eu passava o dia inteiro imaginando o quê ia ficar aonde. Que vontade de começar a nova vida logo!

No sétimo dia, ele finalmente havia acabado de lavar todo o apartamento - lavagem essa que incluiu todas as paredes que estavam cheias do pó branco da construção, as janelas e as portas. Tudo sem molhar aquele monte de caixas pelo chão. O trabalho consistia em colocar todas as caixas concentradas no quarto que seria meu e dele, ligar a água, a luz e comprar o botijão de gás. Assim, as crianças teriam o espaço do resto dos cômodos e nós poderíamos ir desencaixotando com calma.

Havia muita coisa a ser feita por lá, mas no sétimo dia, eu já não aguentava mais esperar na pousada. Eu queria ir pra casa!

Continua...

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12.10.14

A chegada.

Ahhh... a tão esperada chegada! 
Nós mal podíamos acreditar! Finalmente chegamos!
A ficha demorou pra cair.

Estávamos vendo o mar de novo, depois de 1 ano e meio planejando nossa volta pra esse lugar. 

Estava tudo ali, bem na nossa frente, nos esperando. Tudo continuava igual ou mais bonito! O dia estava lindo! E a partir desse dia, veríamos o mar de novo, todos os dias! Como é bom batalhar por um sonho e alcançá-lo! O sabor dessa realização é quase indescritível e já estávamos sentindo-o.

Samuel e Maria queriam descer logo do carro. Todos nós queríamos. Paramos e André desceu com os dois.


Fiquei no carro com Cecília, pois o clima já estava bem frio, apesar do sol, e eu não queria que minha RN pegasse nenhuma rajada de vento, afinal, ela ainda estava se recuperando da bronquiolite. Chega de hospital!

André voltou contando que Maria estava perplexa diante do mar. Apesar de o já ter visto antes, era como se fosse a primeira vez, pois ela era pouquíssimo mais velha que Cecília quando estivemos aqui com ela.

Samuel estava radiante. Impressionado. Aliviado. Ele parecia estar cheio de planos.

Mas, apesar da vontade de ficar ali admirando aquela imensidão azul e ouvindo o barulho das ondas, tivemos que entrar logo no carro para encontrarmos com o caminhão da mudança que havia chegado 2 horas antes. Assim que chegamos, nossas caixas já estavam todas dentro do apartamento, pois o zelador do prédio havia agilizado 2 chapas para descarregar o caminhão pra gente. Que maravilha, né? Fizemos o pagamento para o dono do caminhão, para os chapas, e logo partimos para a pousada, onde passaríamos alguns dias, até que André conseguisse ligar a luz e a água do apartamento e até que conseguisse tirar todo o pó branco de lá de dentro, pois a obra do prédio havia sido recém finalizada.

Chegamos na pousada e a sensação era a de uma viagem ao túnel do tempo. Ficamos no mesmo quarto no qual havíamos nos hospedado quando viemos conhecer a cidade, 1 ano e meio atrás. Estava tudo igualzinho dentro do quarto, com exceção de uma luminária que ficava ao lado da cama de casal. Aquilo tudo parecia surreal. Estávamos de volta àquela cidade, naquele mesmo quarto, mas, desta vez, estávamos ali como moradores, não mais como turistas. Minha cabeça estava à mil!

Continuávamos extasiados com a beleza do lugar. Eu estava ali! No mesmo quarto, admirando aquela mesma paisagem do alto daquela mesma varanda, sentindo aquele mesmo cheiro de mar, curtindo aquela maresia na pele, só que com mais uma filha! Rs! Agora eram 3! Que alegria ter chegado bem com meus amores àquele paraíso!

Todo um futuro nos esperando. O desafio batendo na nossa porta todos os dias, a partir dali. O desafio de dar certo, de se encaixar, de se adaptar. O desafio de poder ficar, de nunca mais precisar partir desse lugar!

---> Leia o próximo capítulo aqui. 

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