25.9.14

Os preparativos - PARTE II.



Pois é, estávamos de volta ao nosso apê. Sim, mais de mil quilômetros de volta com uma recém-nascida saindo de uma internação e um apartamento inteirinho pra ser encaixotado, bem à nossa frente. Mas Deus É tão bom que a viagem foi tranquila, apesar das inalações da Cecília que tínhamos que parar pra fazer. E, por falar nisso, não posso deixar de agradecer ao Hotel Ventura Inn, em Limeira - SP! Jamais esquecerei como fomos acolhidos nesse hotel! Ao pararmos lá pedindo uma tomada emprestada, eles não só concordaram prontamente em nos ceder a tomada, como também, muito gentilmente, nos disponibilizaram uma enorme sala de reuniões com televisão, água, muitas mesas e cadeiras confortáveis. A sala era tão grande que deu pro Samuel e pra Maria brincarem de pega-pega à vontade e desestressarem um pouco do longo tempo dentro do carro. Obrigada, Hotel Ventura Inn!

Minha sapeca Cecília, recém alforriada da internação.


E a bondade de Deus vai tão longe, que uma outra perfeita surpresa estava nos esperando em Goiânia: um anjo. Sim. De carne e osso: minha amiga de fé, Denise. Ela me ligou dizendo que queria nos visitar (detalhe: ela mora em Brasília), com a desculpa de que queria apenas se despedir e, sem que eu desconfiasse do seu verdadeiro intuito, aceitei. Pois ela estava mesmo era planejando nos ajudar com a mudança. E foi graças à ela que tudo se tornou possível. Pois até então, iríamos fazer tudo sozinhos.
André, Samuel e Denise.
Sem a ajuda dessa doida maravilhosa de pedra, a mudança simplesmente não teria acontecido. Ou nós teríamos que partir sem nossas coisas - pois só tínhamos 1 dia para fazer a mudança antes de entregar o apartamento - ou teríamos que terminar essa mudança aos trancos e barrancos - pois o horário permitido para fazer mudanças no prédio havia se esgotado muito antes de terminarmos e ainda havia muitas caixas pra encher e despachar pela frente. Ficamos com a segunda opção. 

Era um tal de porteiro interfonando e fazendo pressão sem parar, síndica mandando recadinho, vizinho reclamando do barulho, pé de sofá que não desparafusava de jeito nenhum e não queria passar pela porta, criança com fome, marido saindo pra comprar comida no meio da confusão... AFF! Tô te devendo uma GIGANTESCA Denise, minha irmã do coração. A realização desse sonho, com um mínimo de arranhões, devemos à você.

O valor cobrado pelas empresas de transporte eram tão absurdos que resolvemos fazer a mudança nós  mesmos e pegar esse dinheiro que seria pago à eles para nos garantir um tempo maior na praia, até que decidíssemos com o que iríamos trabalhar lá.

Mas como eu disse, Deus é TÃO Bom que além de ter nos enviado a Denise, ainda nos levou até um rapaz, dono de um caminhão, que fazia semanalmente o trajeto de Goiânia até uma cidade bem próxima do nosso destino. Esse rapaz, com carga ou sem carga, era obrigado a fazer esse trajeto por conta do trabalho dele e, sendo assim, nos cobrou um valor simbólico para transportar nossa mudança. É bênção ou não é? De quebra, ele ainda arrumou 2 chapas, pai e filho, que cobraram bem baratinho pra carregar tudo pra dentro do caminhão. Isso tudo só me fez lembrar de um versículo: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." (Romanos 8:28)


Passamos o dia tentando tornar toda essa mudança o menos estressante possível para as crianças. O apartamento era um ovo e um ovo cheio de caixas de papelão por toda a parte. A corrida contra o relógio e o calorão de Goiânia davam o "toque final". Imagine só. 

Samuel estava à mil pelo fato de saber que estávamos indo morar na praia. Ele era uma mistura frenética de alegria e ansiedade. E nós, uma mistura enlouquecida de desespero, cansaço e pressa.

No meio das suas brincadeiras e caretas, quando falávamos a palavra "praia", ele abria um sorrisão e era esse sorriso que nos dava força pra continuar e pra acreditar que estávamos fazendo a coisa certa.

Depois de muito suor e lágrimas (minhas lágrimas, claro), conseguimos terminar de encaixotar e tudo foi, finalmente, parar dentro do caminhão.

A mudança saiu dia 18/07 e nós saímos no dia seguinte.

Continua...

18.9.14

Os preparativos - PARTE I.



E foi dada a largada!

Acharam que eu não ia voltar pra contar, né? Hahaha!

Vocês não imaginam tudo o que aconteceu no espaço de tempo entre o último post e esse. Depois da decisão tomada, começaram os preparativos. Alguns traumáticos preparativos, diga-se de passagem. Foram quase 5 mil quilômetros viajados de carro, aluguel de um imóvel às pressas, 5 dias de internação, mudança quase ficando pelo caminho e todos à beira de um ataque de nervos. Tanta loucura que nem dá pra contar todos os detalhes aqui. 

Foi muita, MUITA correria. Imaginou MUITA correria? Agora imagina isso multiplicado por 3 bebês (um de 3 anos que vale por 3, uma de 1 ano e 10 meses e uma de 2 meses), um pai muito preocupado, uma mãe de teórico (só teórico!) resguardo, um carro abarrotado de coisas e muito chão pela frente. Tipo isso, só que mais.  Bem mais. Mas já é sabido que pra conseguirmos qualquer coisa na vida (ainda mais quando essa coisa é MUITO boa), é bem comum que precisemos enfrentar muitas coisas à contragosto antes. Pelo menos, essa tem sido a nossa experiência cá deste lado. Mas vamos em frente.

Fizemos um plano. Como a cidade que escolhemos viver fica à 200 Km da cidade em que minha mãe mora, aceitamos o convite dela para ficarmos lá enquanto André procurava nosso novo lar perto do mar. Só que não contávamos com um baita imprevisto: Cecília com bronquiolite, aos 18 dias de vida. Foi só chegar na cidade onde minha mãe mora que ela "encatarrou", da noite para o dia. Tudo por conta de uma gripe que nos pegou - eu, André, Maria e Samuel - quase 1 mês antes do nascimento dela e que se estendeu até quase 1 semana após o nascimento. O que em nós 4 não passou de uma gripe prolongada, num recém-nascido virou uma bronquiolite perigosa. Lá fomos nós pra internação. Fiquei com a Cecília no hospital por 5 dias, sem poder colocar a cara pra fora do quarto. Durante esses 5 dias, André pegava os 200 km até a praia pra poder procurar o imóvel e depois voltava pra me dar apoio no hospital, trazendo comida e todas as etcs necessárias. Não foi nada fácil.

A outra parte do nosso plano era eu ficar na casa da minha mãe com as crianças enquanto André voltava pra Goiânia (onde até então estávamos morando), pra poder fazer a mudança sozinho e resolver todas as pendências. Mas essa parte do plano foi por água abaixo. Depois de todo o stress da internação, resolvemos voltar todos juntos e fazer a mudança juntos também, pois Samuel ainda estava se recuperando da ansiedade gerada pelos 2 meses longe do André que estava no Canadá e não queríamos esse afastamento de novo. E aí começou a loucura. Foi uma corrida contra o tempo. Inúmeras coisas pra resolver: desligamento burocrático do trabalho do André, desligamento da escola do Samuel, transferência de endereço de um monte de coisas, caça à caixas de papelão, arrumação de malas, doação de coisas, encaixotamento de coisas, coisas, coisas, coisas. Como se acumula coisas, né?! Só abrindo um parênteses: estou sempre doando pertences mil, sempre jogando o que não presta fora, sempre fazendo aquela limpa (!), mas parece que as coisas sempre se proliferam e se acumulam com muito mais facilidade do que o contrário. E olha que não somos de viver adquirindo coisas o tempo todo, não. Procuramos só comprar o necessário, mas mesmo assim, quando chega a hora de encaixotar é que percebemos quantas coisas temos! Já tiveram essa experiência? Agora imaginem esse monte de caixas, trocentas mil coisas pra resolver e mais os 3 bebês citados lá no comecinho do post no meio da história: WOW. Foi uma das experiências mais estressantes da minha vida! Não quero mais saber de mudança tão cedo! Eu A-M-O me mudar, mas não desse jeito corrido. Por mais que se tente, com 3 crianças pequenas sempre ocorrem mil imprevistos que podem fazer todo o seu sistemático e minucioso planejamento escorrer pelo ralo. E por mais que eu entenda de mudança (essa já é a 14ª cidade pra onde me mudo, sem contar com Curitiba pra onde me mudei uma vez, mas 1 mês depois desisti de continuar morando lá), dessa vez, parece que foi a primeira vez. Tudo se atropelou. Fecha parênteses. Mas o quê que eu tava falando mesmo? Ah! (sequelas, sequelas...)

Só de pensar na quantidade de pendências à nossa espera, batia a ansiedade, uma vontade louca de não resolver nada e só picar a mula pra praia. Mas aí a gente retorna ao chão e percebe que não tem outro jeito senão respirar fundo e encarar a parte chata da coisa. Ééééé, deixar uma cidade grande pra trás não é assim tão fácil! Ainda mais quando se viveu lá por 6 anos e quando o crescimento profissional aconteceu lá também. Fora isso, foi lá que fizemos MUITOS amigos.

Continua...

21.6.14

Sem medo de ser feliz.

André e Samuel (Maresias, 2013).

Alguma vez, você já se pegou com vontade de "chutar o balde", mandar seu emprego chato e sua rotina maçante pras cucuias? Já quis fazer as malas, pegar a estrada e se mudar pro lugar dos seus sonhos?

POIS É. Eu e meu marido chutamos o balde!

Cansamos da selva de pedra, da vida de apartamento, dos playgrounds cimentados e com grama sintética, de comer correndo comida de qualidade duvidosa vendida nos grandes supermercados, do stress desnecessário causado por pequenas neuroses da vida moderna, do consumismo sorrateiro que vem de fininho invadindo e mudando a nossa noção do que é necessidade e prioridade, de consultas marcadas com a natureza (nas férias, em raros feriados e olhe lá!), de trânsito demais, de poluição demais, de correria demais, e, principalmente, de tempo de menos com a família.

Ah, se a gente pudesse... ficaríamos grudados o tempo todo! Claro que isso é impossível, mas sabemos que poderíamos passar muito mais tempo juntos se não perdêssemos tanto tempo no trânsito, por exemplo. São detalhes que fazem diferença.

Bom, passamos dias, tardes e noites matutando e chegamos à conclusão de que o primeiro passo seria mudarmos para uma cidade pequena e com um ritmo mais lento. Afinal, a vida nas cidades grandes vai minando a convivência familiar, justamente pela falta de tempo e pelo stress comuns à elas. Então, resolvemos dar o BASTA que estávamos ensaiando faz tempo. Com fé em Deus e pé na tábua, vamos nos mudar para uma pequena cidade praiana com as nossas crianças. Detalhe: estamos indo sem emprego garantido, mas com a certeza de que temos força pra trabalhar e vontade de vencer.

Como é sabido, toda escolha envolve perdas e ganhos, o que implica que seremos obrigados a abrir mão de algumas coisas para que possamos alcançar aquilo que almejamos. E assim tem sido. Acabamos de abrir mão de uma boa oferta de emprego aqui na cidade, teremos que ficar longe de pessoas muito queridas e importantes, Samuel terá que se adaptar à uma nova escola, abriremos mão de toda a infraestrutura que uma grande cidade oferece e por aí vai. Mas, certamente, o mais difícil foi passar por cima daquele falso sentimento de "segurança" que tínhamos aqui. Sabe aquele sentimento que te pede pra se acomodar e não arriscar algo novo e diferente (!) de tudo que você já está tão acostumado? Sim, esse sentimentozinho aí mesmo: o medo.

No nosso caso, o medo era de falhar, de falir, das crianças não se adaptarem, de ficar longe da Pediatra maravilhosa deles, enfim, medo do desconhecido. Acho que o único medo que não precisamos enfrentar desde que tomamos essa decisão foi o medo das críticas. Sabemos o porquê, por quem e, acima de tudo, com Quem estamos fazendo isso.

Samuel (Maresias, 2013).


Há tempos, tem doído em mim perceber como meu filho anda estressado e ansioso. E isso piorou desde que nos mudamos para um apartamento, há 1 ano e meio. Definitivamente, criança não foi feita pra viver em apartamento, viu. A ansiedade dele chegou a tal ponto que ele começou a "segurar o cocô." A vontade vem e ele não deixa o cocô sair. Haja angústia! Precisávamos fazer algo a respeito, afinal stress e ansiedade não combinam com criança. Isso, teoricamente, deveria ser coisa apenas de adulto, não? Adolescentes, no máximo... Mas crianças? Não dá. Esse foi apenas um dos vários motivos que nos levou a decidir que estava na hora de mudar radicalmente nosso estilo de vida. E queremos mudar tudo, desde a alimentação até o ritmo das nossas relações interpessoais dentro de casa - tempo de qualidade e em quantidade, please!

Aí me perguntam: "Mas mudar pra uma casa não resolveria o problema de vocês?". Olha, pra nós, bem-estar está diretamente ligado ao contato com a natureza e na cidade onde moro - apesar de ser uma das capitais mais arborizadas do Brasil - o contato mais próximo com a natureza fica limitado aos parques. São parques lindos, massssssss, são apenas parques urbanos. Nem sei se posso chamar isso de natureza, pois está mais é pra paisagismo. Pra tomar um banho de cachoeira tem que viajar, pra tomar banho de rio tem que viajar, pra tomar banho de mar então (rá!), tem que viajar léééééguas. Aqui, qualquer outro tipo de diversão e distração para crianças tem custo e não costuma ser baixo. Não é como Brasília, por exemplo, que oferece diversas opções gratuitas.


André e Samuel (Maresias, 2013).


Observo a diferença da infância que meu marido teve em relação à infância que meus filhos tem tido até agora. André é surfista, cresceu na frente do mar. Pescava com tarrafa, arpão, velejava, pegava siri, mergulhava, surfava e por aí vai. Samuel usa o touchpad do laptop com maestria, acessa os joguinhos que quer sozinho, aprendeu a pular os anúncios do YouTube para assistir seus videozinhos rapidamente (sem que ninguém nunca tivesse parado pra ensiná-lo), sabe colocar seus DVD's favoritos no aparelho e mexer nos botões perfeitamente (o que também aprendeu apenas por observação) e já enjoou de todos os canais infantis que a TV a cabo oferece - e olha que aqui em casa assinamos todos. Viram a diferença? Não me oponho ao meu filho se familiarizar com a tecnologia e aprender a usufruir dela. Não é esse o ponto. Me oponho ao fato dele não desenvolver outras habilidades que só poderiam ser desenvolvidas num ambiente mais rústico e menos "urbanóide", digamos assim. Acho isso importante para um desenvolvimento mais completo.

Samuel (Praia da Fazenda, 2013).


Na última vez que meu filho teve contato com o mar (que foi a segunda vez, mais precisamente), ele ficou com medo da água encostar nos pés dele e isso deixou a gente em alerta. O contato dele com a natureza é tão ínfimo que ondinhas baixas o deixaram inseguro! Não... Fala sério! Criança precisa correr, nadar, pular, brincar, se sentir livre... Todos precisamos! Não devemos crescer/viver com medo de coisas banais assim. E assim foi: depois de algumas ondas, ele se acostumou e aquele foi um dos dias mais felizes da vida dele. Vira e mexe ele relembra e comenta que quer voltar. E é isso que estamos buscando: que dias como esse não sejam raros, como tem sido atualmente.

Samuel e eu (Maresias, 2013).


Sabe, quero poder proporcionar uma vida mais saudável, mais orgânica pros meus filhos. Uma vida mais natural e menos enfadonha pra eles e pra nós também, claro, pois precisamos estar bem para cuidar deles. Ninguém merece viver só pra trabalhar e trabalhar só para pagar as contas. Isso não é viver, é sobreviver - como André costuma dizer. Não queremos isso pra nossa família.

A princípio, nos demos o prazo de 1 ano para "dar certo" lá e motivação não falta.

Dito tudo isso, convido vocês a acompanharem a nossa aventura na praia aqui pelo blog. Tentarei registrar o máximo de coisas possíveis, na medida do possível. Aliás, na medida das crianças. Rs...

Simbora!

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